20 dezembro, 2006

O desafio do câncer

O leitor e editor de blogs Luis Enrique me escreveu. Para solicitar minha opinião sobre a cura do câncer supostamente obtida pelo uso de uma proteína.
Fiz a leitura atenta do site que me indicou, o qual propala a excelência de uma determinada proteína no tratamento do câncer, porém que não foi esclarecedora.
A meu ver, permanecem sem respostas as seguintes perguntas:
É factível existir uma proteína que cura o câncer cujo responsável por sua identificação (em 1982) não consegue convencer disso os oncologistas?
Como uma substãncia que cura o câncer (que em si já representa um complexo de doenças) ainda inclui, entre as suas ações, a obtenção de resultados satisfatórios contra a artrite, a osteoporose, a diabetes, a hérnia de disco etc?
Como uma substância, que interfere com o curso de uma doença tão grave, apresenta 0% de efeitos colaterais?
Não parece uma petulância o pesquisador afirmar que, com os seus trabalhos de termodinâmica ao nível mitocondrial, esteja dando continuidade à obra de Einstein?
Se dispõe de uma bibliografia médica a favor do que divulga por que nega apresentá-la à comunidade científica?
Onde se encontra a descrição da metodologia que usou em suas pesquisas?
Suas experiências foram previamente aprovadas por comitês de ética em pesquisa de hospitais?
Em que revistas médicas acreditadas (indexadas) foram publicados os seus trabalhos?
Quantos e quais pesquisadores em outros centros confirmaram em ensaios clínicos independentes os seus resultados?
A apresentação de comentários na imprensa leiga das entrevistas que o próprio cientista concedeu significa algum respaldo?
Também significa respaldo os prêmios que lhe foram outorgados por entidades que não pertencem à área científica?
Comercializar o produto através da internet dá direito a rotular de mercadores os que utilizam as terapias convencionais em câncer?


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