31 janeiro, 2010
O esquilo pidão
A peleja do poeta Carioca com o Maestro Soberano
-------------(...)Eu trago o peito tão marcadoDe lembranças do passadoE você sabe a razão.Vou colecionar mais um sonetoOutro retrato em branco e pretoA maltratar meu coração.(Tom Jobim - Chico Buarque)
Marcadores: Brasil, livro, música
30 janeiro, 2010
O maior poeta do Brasil
- Meus caros jovens: os senhores dispõem do prazo improrrogável de dez minutos para mudarem de opinião. O maior poeta do Brasil é Alphonsus de Guimaraens.
Marcadores: literatura, opinião
Por que a borracha é capaz de apagar o lápis?

Para respondermos a esta questão temos que primeiramente entender o processo que ocorre quando escrevemos com um lápis sobre o papel: ao passarmos o lápis no papel, este tem dureza suficiente para riscar o papel, e isso faz com que um pouco do grafite do lápis seja retirado e se deposite sobre o papel. Desmanchar o que foi escrito envolve a quebra de pequenas ligações elétricas que prendem o grafite ao papel.
A borracha consegue realizar essa tarefa porque, ao ser atritada contra o papel escrito, consegue se aproximar suficientemente das moléculas de grafite, exercendo sobre elas uma força superior à que as liga ao papel.
Marcadores: curiosidades, Física
29 janeiro, 2010
O Riacho e o Coronel

Marcadores: Ceará, exército, Rio, rios
28 janeiro, 2010
Bandeiras de Benin


Marcadores: bandeiras, Benin, cartoon
27 janeiro, 2010
A Terra invisível

Marcadores: aliens, digital, Tecnologia, Terra
Marcadores: equilíbrio, slideshow
26 janeiro, 2010
Não foi uma boa ideia
Canção por Eliana
25 janeiro, 2010
Uma gripe, duas ondas
O livro que abalou o mundo de David Toscana

Marcadores: comentário, livros
24 janeiro, 2010
A Aventura do Inglês
Marcadores: DVD, GB, Inglês, NJC
Um governador fodão

How to Say "Fuck You!" in Any Language Worldwide
Marcadores: acronym, California, governator, video
23 janeiro, 2010
Diários de motocicletas


Marcadores: motocicletas, Paquistão
As 30 mentiras mais contadas
- Esse processo é rápido. ADVOGADO
- Qualquer coisa, volte aqui que a gente troca. AMBULANTE
- Já vai? Ainda é cedo! ANFITRIÃO
- Presente? Sua presença é mais importante. ANIVERSARIANTE
- Sei perfeitamente o que estou dizendo. BÊBADO
- Visite-nos sempre; adoramos suas crianças. CASAL SEM FILHOS
- Em seis meses colocarão: água, luz e telefone. CORRETOR DE IMÓVEIS
- Tomaremos providências. DELEGADO
- Não vai doer nada. DENTISTA
- Não quero mais saber de homem. DESILUDIDA
- Amanhã, sem falta! DEVEDOR
- É muita pressão que vem da rua. ENCANADOR
- Dormi na casa de uma colega. FILHA DE 17 ANOS
- Antes das 11 estarei de volta. FILHO DE 18 ANOS
- Trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado. GERENTE DE BANCO
- Era um bom sujeito. DESAFETO DO MORTO
- Vamos continuar treinando forte. JOGADOR DE FUTEBOL
- Isso aqui foi um homem que me deu. LADRÃO
- É o carburador. MECÂNICO
- Tem garantia de fábrica. MUAMBEIRO
- Pra dizer a verdade, nem beijar eu sei. NAMORADA
- Você foi realmente a única mulher que eu amei. NAMORADO
- Casaremos o mais breve possível! NOIVO
- Apenas duas palavras... ORADOR
- Se eu fosse milionário distribuía dinheiro com todo mundo. POBRE
- Até que a morte nos separe. RECÉM-CASADO
- Depois alarga no pé. SAPATEIRO
- Em briga de marido e mulher não me meto. SOGRA
- Há 3 anos que procuro trabalho e não encontro VAGABUNDO
- Este é o último e-mail que repasso. EU
Marcadores: internet, mentiras
22 janeiro, 2010
Redenção
A cidade surgiu no século XVII, a partir de um povoamento que deu origem à Vila Acarape, nos sopés do Maciço de Baturité, no sertão cearense.No ano de 1882, a vila testemunhou a criação da "Sociedade Redentora Acarapense". Em 1º de janeiro de 1883, recebeu a visita de grandes abolicionistas como José do Patrocínio, Liberato Barroso, Justiniano de Serpa, entre outros, que vieram assistir à alforria de 116 escravos do lugarejo. A partir daquele ato, ali não haveria mais escravos e, por seu pioneirismo em libertá-los em nosso país, ganhou a vila o nome de Redenção.
Também em reconhecimento a esse fato, Redenção foi escolhida para ser a sede da recém-criada Universidade Federal da Integração Luso-afro-brasileira (Unilab), que está prevista para funcionar a partir de 2010.
Natural de Acarape (que foi desmembrada de Redenção em 1987), meu pai, Luiz Carlos da Silva, escreveu em sua juventude um soneto em homenagem à Redenção. O poema foi publicado na revista "Verdes Mares", do Colégio Cearense do Sagrado Coração, onde ele estudava, e, recentemente, figurou também no livro "Maquis - Redenção na França ocupada", escrito por meu irmão Marcelo Gurgel. Aqui.
Marcadores: Ceará, cidades, história
21 janeiro, 2010
Braz tacheiro
Fui entrando na cidade e lembrando do meu avô, já em rodas, debruçado na janela, a ver feira e interromper passantes com indagações banais: - E a vaca, pariu? - Trouxe a farinha que lhe pedi? E outras bobinhas. Minha avó, pequenina e frágil, comandava a cozinha para o almoço das dez, agitando, maestrina, a enorme chave da despensa. Lembro Muinha, vestida de chita barata, passos abertos tipo “dez pras duas”, correndo com uma brasa na colher. Levava o fogo para o cigarro empalhado do velho Quincas. Conduzia a chama do olímpico esforço de servir com um amor franciscano àquela família que um dia lhe dera prato e cobertor. Muinha é minha heroína, sua lembrança é o amuleto que me recompõe quando perco as esperanças no gênero humano. Quem a conheceu sabe de quem falo e chora comigo sua falta, pois ela foi a melhor de todos nós. Santinha!
A missa de domingo tinha quermesse na praça, radiadora com mensagens ingênuas anunciando amores tímidos. Eu mesmo arrisquei uma flecha para alguém que vestia azul e circulava na praça de braços com outras. Todas riam ao passar por mim, o tal de boné carmim. Ia dormir sem trocar palavra, dormia rápido para no sonho ter coragem de perguntar-lhe pelo menos o nome.
Na feira, gostava de me aproximar dos ciganos e espreitar suas negociatas com animais e tachos cobreados. Achava as ciganas mais belas e misteriosas do que as mulheres de cá. Uma delas quis ler minha mão, mas por medo ou timidez, neguei a mão e a viagem ao futuro. Saí correndo e entrei na bodega do Chico Chagas, amigo do meu avô e de lá fiquei espiando o mundo dos que não conheciam horas, disciplinas, estudos e compromissos, o mundo que já começava a me aprisionar. Eu invejava o admirável mundo vagabundo dos ciganos.
A casa de meu avô fronteava a praça sem recuo. Descia-se um degrau para pisar na sala de assoalho rústico que rugia e retumbava. Os quartos eram escuros, sem janelas, mas cheios de portas. Alcovas despojadas, devassadas, algumas redes dobradas em cachos e um baú tão lacrado que acendia minha fantasia:
A mais saborosa parte da casa era a cozinha aberta para o pátio e com a lenha sempre acesa. A goiabeira do quintal, de boa sombra e más goiabas, guarnecia a porta da cozinha por onde descíamos para o porão à cata de velharias e jacas maduras. Depósito de rapaduras e alfenins, mangas e amendoins que atiçavam o apetite do menino magro, avesso ao sal das comidas boas.
Dessa vez, o avô sou eu, andando na praça, conectando um fio ao passado, buscando uma infância que desapareceu como água servida. Os tempos mudaram a feira de Ubajara. Não há mais ciganos. Uma barraca vende a quilo roupas usadas e arrematadas em São Paulo. Um caboclo de brincos anuncia DVD do Matrix e outras pinóias do Paraguai. Assim vai se montando o cenário que servirá às reminiscências dos velhos de amanhã. O mundo segue seu curso e vai deixando pelo caminho esses velhos doentes de saudades.
- Aqui se vende tacha? Essas tachas de pregar solado?
Ele já exasperado, respondeu que vendia tacho de cobre para garapas e doces e que entre tacha e tacho, um ignorante não vê muita diferença. Era o que eu precisava para iniciar a conversa num clima menos amistoso. Perguntei então se podia fazer pipoca com os tachos. Respondeu que pipoca se faz com milho e me fez engolir cuspe e emudecer.
Atarracado, mãos brutas, olhar de nojo pelo atrevido forasteiro. Era falante, áspero e briguento: vestia-se com estopim de dinamite. Perguntei porque havia tantos retratos de políticos na parede, respondeu que é pra ter raiva deles.
- Para que esta quantidade de garrafões de pinga, se senhor não bebe? - perguntei com ar abestalhado.
- Já bebi muito, mas não bebo mais. Pus ai só pra teimar.
- Então o senhor é teimoso?
- Sou sim, mas num sou sévergonha. Aqui em Ubajara tem um beco que eu num passo.
- Por que não passa?
- Num passo porque eu dixe. Dixe que num passava e num passo nem se me matar. Já me deram uma D20 zerada para passar e eu num passei. O ômi pode ser teimoso, só num pode ser é sévergonha.
Esse é o Braz, o Seu Lunga(*) da Ibiapaba. Um homem que pode ser tudo, mas não é um sévergonha.
Tem-se dito!
(*) Seu Lunga, o do Cariri, que esteve recentemente de passagem pelo blog, foi o responsável por Nelson haver desarquivado e enviado esta crônica.
Marcadores: crônica, NJC, reminiscências, Ubajara
20 janeiro, 2010
Um dia na internet
Marcadores: diagrama, internet
Marcadores: calendário, pets, slideshow
19 janeiro, 2010
A vida na berlinda
Marcadores: comparações, vida
Dez milhões de morcegos!

Marcadores: BBC, fotografia, morcegos, Zâmbia
18 janeiro, 2010
Por motivos intestinos

Marcadores: corrupção, CPI, panetone
"Temo o homem de um livro só"

- Não achas maravilhoso?! Milhares com um livro na mão!- Não, pois é o mesmo livro! - responde o amigo.
Gardez-vous de disputer avec l'homme d'un seul livre.
Dios me libre de hombre de un libro.
Dio mi guardi de chi studia un libro solo.
Gardu vin de tiu, kiu lernas en unu sola libro (esperanto).
17 janeiro, 2010
Músicas corporais
Marcadores: canções, corpo, EUA, NJC
Desgraça muita é bobagem
"desgraça de lá está sendo boa pra gente aqui; fica conhecido... o terremoto que atingiu o país pode ter sido causado por macumba... o africano em si tem maldição, todo lugar que tem africano tá f..."
1. Shensi, China, 1556 - 830 mil mortos
2. Calcutá, Índia, 1737 - 300 mil mortos
3. Tangshan, China, 1976 - 250 mil mortos
4. Kansu, China, 1920 - 200 mil mortos
5. Kwanto, Japão, 1923 - 143 mil mortos
6. Messina, Itália, 1908 - 120 mil mortos
7. Chihli, China, 1290 - 100 mil mortos
8. Shemakha, Azerbaijão, 1667 - 80 mil mortos
9. Lisboa, Portugal, 1755 - 70 mil mortos
10. Yungay, Peru, 1970 - 66 mil mortos
Marcadores: Haiti, terremotos, vídeo
16 janeiro, 2010
Nunca te vi

Dicionário Brasileiro de Prazos
DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.
JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa 'passou a ser minha primeira prioridade', enquanto 'faço já já' quer dizer apenas 'assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito'.
LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase 'Mas logo eu?', que quer dizer 'tô fora!' .
MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!
NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.
PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca.
POR VOLTA: Similar a 'no máximo'. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5 h quer dizer a partir das 5 h.
SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer 'fique tranqüilo que amanhã eu entrego.' E depois do segundo atraso, 'relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta.'
UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.
UM MOMENTINHO: Demora, em média, cinco vezes UM MINUTINHO.
TÁ SAINDO: Ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar? Capisci! Understood? Comprendez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo...
VEJA BEM: É o day after do depende. Significa 'viu como pressionar não adianta?' É utilizado da seguinte maneira: 'Mas você não prometeu os cálculos para hoje?' Resposta: 'Veja bem...' Se dito neste tom, após a frase 'não vou mais tolerar atrasos, OK?', exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.
ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário."
Marcadores: Brasil, dicionário, prazos
15 janeiro, 2010
Ciência x Filosofia
Micropoemas do infortúnio - 11

o MURO antes de sua destruição pelo vento
Marcadores: lagartos, micropoemas, muro
14 janeiro, 2010
O homem que desafiou a bomba
Morreu em 04/01/10, o japonês Yamaguchi Tsutomu, reconhecido como sobrevivente dos dois bombardeios atômicos sofridos pelo japão, ao fim da II Guerra Mundial.Na manhã de 6 de agosto de 1945, Yamaguchi se encontrava a negócios em Hiroshima, quando a cidade sofreu o bombardeio atômico. Com os tímpanos rotos, cegueira temporária e graves queimaduras pelo corpo, ele passou a noite em um abrigo antiaéreo local e, no dia seguinte, voltou para Nagasaki, a cidade onde morava, em busca de algum tratamento.
Três dias após, Nagasaki sofreu o seu bombardeio atômico. E Yamaguchi estava lá, sobrevivendo novamente.
Considerado um hibakusha (sobrevivente da radiação) pelo governo de seu país, o japonês recebeu cuidados médicos e compensações financeiras ao longo de sua vida. Desfrutou de uma regular saúde e somente veio a falecer aos 93 anos de idade por câncer de estômago.
Marcadores: bomba, câncer, guerra, Japão
13 janeiro, 2010
Testes nucleares

Marcadores: armas nucleares, mapas
12 janeiro, 2010
O papel de melhor amigo

Marcadores: cão, fotografia
Conjugo Vobis

11 janeiro, 2010
Ciência poética
O nascimento do planeta Vida
O universo já foi energia pura que se fez matéria na forma de hidrogênio, o mais simples dos elementos. O aglomerado desses gases produziu gravidade que os juntou e aqueceu como fazem os amantes nas noites frias. Enroscaram-se e pariram um átomo de hélio. E assim foram criados todos os elementos conhecidos, dos mais leves ao mais pesado, o urânio de injusta fama. Só mesmo no interior de estrelas mil vezes maiores do que o Sol poderiam nascer átomos tão variados que dessem cabo da monstruosa tarefa de construir a grande novidades que, neste quintal solar, chamaremos de VIDA. O universo inaugurou os corpos que fazem corpos, que de simples se fazem complexos e de tão complexos se fazem inteligentes e daí pensam, inventam, elaboram, refletem até merejar como faço agora só de pensar que mereci o prêmio de viver e compreender. Oh! Bendita evolução que nos fez sua jóia. Quanto privilégio recebi de graça por ser alguém capaz de ao olhar um céu estrelado molhar o sorriso com lágrimas escorridas. Nesses momentos deixo de ser carne para ser espírito. Algo que fecha os olhos para ver o invisível, para crer no incrível, para poder o impossível. Seres mudos que declamam toda poesia possível.
Somos matéria velha, feitos essencialmente de poeira das estrelas, carbono para ser mais exato, assim como os diamantes, mas diferentes deles porque nosso brilho é próprio. Brilhamos quando sorrimos, quando trinamos para um passarinho, quando afagamos um cão da coxia e salvamos a formiga do afogamento na pia. Somos astros assim!
O nascimento do homem
O sistema solar surgiu da explosão de um aglomerado estelar gigantesco com massa de 100 sóis. A gravidade nesses astros é tão poderosa que os destrói numa explosão monumental: A Supernova. Os detritos desse cataclismo organizam-se em sóis, planetas, alguns gasosos, outros rochosos como a Terra. Pois foi neste planeta que deveria se chamar planeta Vida, que surgiram há 3,5 bilhões de anos as primeiras moléculas replicantes chamadas de RNA primordial. Uma molécula capaz de fazer cópia de si mesma. A sucessão de cópias mutantes teve vida longa e atribulada, esteve muitas vezes à beira do extinção, mas venceu catástrofes e terminou num berçário entre choros, fezes e gritos de alegria: nascemos para contar essa historia.
A tristeza e as religiões
Vagando pelo lirismo alcanço este parágrafo para abordar a tristeza humana. A sensação de insignificância e inutilidade que nos acomete, às vezes. A tristeza a que me refiro não é aquela passageira quando perde o trem um passageiro. Tampouco a doença depressiva, sublevação química que por vezes, pode ser vencida com a espada da vontade. Falo da crônica insatisfação desses dias em que na falta da compreensão existencial, busca-se a fortuna. Uma riqueza que nem os ricos sabem onde está porque continuam a buscá-la crendo-a dinheiro até que a morte os apanhe sem encontrá-la. É certo que o dinheiro quase tudo pode, só não compra a satisfação de ser manso. Essa paz o dinheiro não compra porque traz com ele o virus da cobiça. O desejo assim inoculado é um dragão de estômago aberto para o vazio, não há banquete capaz de atendê-lo. O desejo é como a fome, repete-se ao meio-dia.
A tristeza epidêmica que nos aflige é o vazio existencial que nos faz abraçar religiões na busca de respostas à pergunta de todas as horas: Para que estamos aqui? As religiões oferecem amontoados de fábulas e mitos que derespeitam a inteligência humana, são mais apropriadas aos livros infantis. Desculpem-me os que têm fé, reconheço que minha afirmação pode ser tomada como desrespeitosa aos crentes, mas prefiro ser honesto a ser só educado. Também sou atrevido e pretensioso ao responder à pergunta sobre as razões da nossa existência. Melhor fazer afirmações que poderão se mostrar ridículas do que viver em estado de covardia. Somos hoje o que foram a minúscula alga ou o invertebrado que nos deu origem. Somos um elo da corrente evolucionária, somos incríveis, mas não somos o produto final. Maravilhosa espécie, sobre humana, haverá de vir séculos à frente. Dentro de cinqüenta anos seremos os segundos em inteligência. A inteligência se retro-alimentará e a progressão será exponencial. Isso tudo se não destruirmos essa casca ferida que nos acolhe: A atmosfera. A camada de gases onde vivemos tem a espessura da casca de uma maçã se fizermos a devida proporção. Sejamos gentis com ela.
Satisfação de ser gente
Foi necessário vencer uma corrida em meandros, com milhares de outros espermatozóides para fecundar um óvulo solitário e pouco esperançoso. Quase sempre desistem de esperar e terminam como os gametas masculinos tímidos, esquecidos num balde qualquer. Alegremo-nos pois somos filhos de uma célula valente com outra perseverante. Haverá melhor forma de começar uma vida? O segundo passo dessa célula flagelada, atlética e haplóide (sig: contem só metade dos cromossomos) foi germinar, entregar sua biblioteca de genes e agarrar-se com todas as forças ao óvulo hospedeiro para reclamar seu quinhão no corpo que se deixa, com amor, parasitar.
Nascer é o coroamento de uma epopéia de grandes riscos. Poderíamos ter nascido efêmeras, insetos de vinte horas de vida. Nascemos gente, capazes de sentir o cheiro da dama da noite, de pasmar diante de um pássaro alimentando filhotes, de rir de uma piada maliciosa, de gozar um acorde de Beethoven, de enfiar a boca numa melancia, de se aproveitar de uma mulher no cio, de acariciar um filho e de pular pelado num rio.
Não importa se não sou capaz de prodígios, mas me alegra reconhecê-los nos outros: A racionalidade de Einstein, a engenhosidade de Leonardo da Vinci, o humor de Cervantes, a musica de Bach, a retórica de Shakespeare e o lirismo do genial Rimbaud (imagem) que aos dezesseis anos descreveu a morte com esta beleza ("Poema do soldado morto"). Como descreveria a vida?
"É um vão de verdura onde um riacho cantaA espalhar pelas ervas farrapos de prata
Como se delirasse, e o sol da montanha
Num espumar de raios seu clarão desata.
Jovem soldado, boca aberta, a testa nua,
Banhando a nuca em frescas águas azuis,
Dorme estendido e ali sobre a relva flutua,
Frágil, no leito verde onde chove luz.
Com os pés entre os lírios, sorri mansamente
Como sorri no sono um menino doente.
Embala-o, natureza, aquece-o, ele tem frio.
E já não sente o odor das flores, o macio
Da relva. Adormecido, a mão sobre o peito,
Tem dois furos vermelhos do lado direito."
Estamos sós?
Haverá neste céu que agora fito alguém com essa mesma dúvida? Não há indícios da existência de vida inteligente em outros lugares. Talvez sejamos únicos. A ser verdade essa suspeita, imaginem o tamanho da nossa responsabilidade! Únicos seres inteligentes em todo o Universo.
Não foi fácil chegar até aqui, muito se perdeu antes que acertassem a receita. Não faremos justiça aos tempos passados se dermos abrigo a tristeza existencial que nos incomoda. Podemos ser felizes só por ser gente.
Temos dívidas com o passado que abriu o caminho. Temos obrigações mais do que demandas e não nos custa acariciar a natureza apedrejada, parar de envenenar nossos corpos e aprendermos a dizer obrigado.
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10 janeiro, 2010
Pescar é chato?
“Pescar é chato, a não ser que você pegue um peixe. Aí então é repugnante.”

A mais "quente" das pimentas
09 janeiro, 2010
A invasão vermelha

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Órgãos
Quer seja fino ou mais grosso,
É órgão muito querido
Não tem espinha nem osso.
De incalculável valor,
E desempenha no amor

Quando uma dama o toca,
Ei-lo a pular com fervor,
Se for rapaz, estremece,
Se velho, com menos vigor.
Seu nome não é tão feio.
Tem sete letrinhas só,
Tem um "R", um "A" no meio,
Começa em "C" e acaba em "O".
Nunca se encontra sozinho,
Vive sempre acompanhado,
Por outros dois orgãozinhos,
Juntos de si, lado a lado.
O nome destes, porém,
Não vá gerar confusões,
Tem sete letras também,
Tem "L" e finda em "ÕES".
Para acabar com esse embalo
E com as más impressões:
Os órgãos de que eu falo
São... o coração e os pulmões!!!
Marcadores: adivinhação, poema
08 janeiro, 2010
Santa leitura
Sempre que possível eu evitava interrompê-lo em sua santa leitura. Ao contrário do que fazia minha mãe, a matraquear um assunto atrás do outro, sem ao menos se tocar para a inconveniência da hora. E bem feito porque ele sempre a desouvia!
Ainda pouco me entendia por gente, mas recordo também que aquilo me perturbava. Meu pai dedicar parte de seu tempo a um punhado de folhas impressas, ainda por cima capazes de manchar o sofá novo, como se queixava minha mãe. E, mais: ao fazer aquilo ele se comportava, para os meus tenros olhos, feito um estranho. Um ser sob alguma ação hipnótica porque, naquelas horas, podia o teto da casa vir abaixo. Que o velho, certamente, não ia perder tempo levantando a vista do jornal. Nem para apreciar o novo teto solar com que a casa acabara de ser contemplada.
Intrigava-me saber que força misteriosa possuía o jornal. A ponto de um ser humano, muita vez de forte personalidade, entregar-se a ele como se fora um escravo. Com o tempo, porém, identifiquei existir no ser humano uma especial fragilidade, que é a carência orgânica de informação. Exatamente o que o jornal tem de sobra. E que, para que aconteça a consentida dominação jornal-leitor, não hesita em nos passar diariamente. O seu produto informação, sob as mais diversas apresentações: editorial, reportagens, colunismo social, charges, publicidade etc.
Uma vez sonhei com papai sendo levado, contra a vontade, a uma redação de jornal. E o desfecho dessa experiência onírica, se alguém quer saber, foi a redação ficar só escombros. Porque papai, qual um bíblico Sansão, no fim derrubou suas colunas.
No entanto, nem tudo acontece como a gente sonha. E, sem haver sofrido arranhões nesse meu sonhar, papai continuou... vida boa não quer pressa. A ler o seu jornalzinho no sofá (por vezes, à mesa da sala de jantar), apenas lhe faltando um cachimbo na boca para compor a cena clássica. E, quando me formei em "doutor do ABC", papai me deu a ler um suplemento infantil do jornal. Que eu li com grande satisfação, bem na frente de um enciumado aparelho de televisão.
Pronto, naquele momento estava inaugurado o meu novo hábito!
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07 janeiro, 2010
O decálogo de Russell
- Não tenhas certeza absoluta de nada.
- Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
- Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza terás insucesso.
- Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
- Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
- Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
- Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
- Encontres mais prazer no desacordo inteligente do que na concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
- Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.
- Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.
Outubro de 1948. Quando o avião em que Bertrand Russell viajava pousou em um fiorde em Oslo, houve um solavanco. Russell foi parar no chão, onde a água começava a subir, e achou que tinha sido apenas uma onda que havia invadido o avião e exclamou "well, well", enquanto procurava seu chapéu. Abriram a porta e o puxaram para dentro da água. Só então ele começou a entender o que se passava e pensou apenas em proteger sua maleta, mas teve de deixá-la para nadar até o barco mais próximo. Metade dos passageiros morreu, porém houve mais sorte com aqueles que estavam no setor para fumantes, onde o filósofo se encontrava.Mais tarde um repórter lhe perguntou: "O que pensou quando pulou na água?"
Ele respondeu: "Que estava fria."
06 janeiro, 2010
Penso, logo cito - 19

Marcadores: convicção, dúvida, pensamento
Marcadores: predadores, slideshow
05 janeiro, 2010
Caetano x Cartola
Marcadores: flores, letras, notícia
Respingos na memória

Um homem puxa conversa com outro:
Marcadores: anedota, guarda-chuva
04 janeiro, 2010
Não está louco varrido

:-(
“Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros! O mais baixo da escala do trabalho…” Boris Casoy.Dito no intervalo de uma das edições do Jornal da Band (sem sabe que as falas continuavam a ser gravadas no estúdio da televisão), esse comentário é o que Boris realmente pensa a respeito da classe dos garis. E o pedido de desculpas, que ele fez depois aos garis (e aos telespectadores), é a meu ver apenas a parte 2 da história (em que Boris usa a palavra para ocultar o pensamento).
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Cearenses no poder
Com a grande tomada do poder mundial pelos cearenses, a acontecer brevemente, caberá o cargo de Secretário Geral da ONU a Seu Lunga (foto), o qual deverá resolver o conflito entre Israel e a Palestina por meio da doação de vastas extensões do sertão cearense a esses brigões. "Magote de fio d'uma égua, bando de mulambeiros, a terra é seca do mesmo jeito e o mar é da mesma cor. Deixem de botar boneco que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza".
Marcadores: Ceará, Lunga, poder
03 janeiro, 2010
O valor da atenção

Marcadores: NJC, predadores, sapo
A Sinfonia da Ciência
Marcadores: Ciência, música, vídeo
02 janeiro, 2010
Sobre 2010

Marcadores: ano, pensamento
Abraham Lincoln
- seu corte de cabelo horrível

- seu rosto esquelético
- sua gravata torta
- suas mãos trêmulas
- seu sinal de pele
- sua depressão
- suas grandes lapelas
- seu tipo magricela
- suas alterações de humor
- sua esposa maluca
- sua Síndrome de Marfan
- seus planos de ir relaxar-se no teatro em vez de continuar no trabalho fazendo o que todos os norte-americanos esperam de seu presidente
21/01/2012 - Atualizando...
Pensem nisso: Abraham Lincoln foi ao teatro numa ocasião em que havia muitos médicos presentes. Foi uma atitude certa.
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01 janeiro, 2010
O salário mínimo
Mais de 45 milhões de trabalhadores brasileiros (como também milhões de aposentados), que percebem salários pelo menor valor permitido em lei, foram beneficiados com o último reajuste.
01/05/95......R$ 100
01/05/96......R$ 112
01/05/97......R$ 120
01/05/98......R$ 130
01/05/99......R$ 136
03/04/00......R$ 151
01/04/01......R$ 180
01/04/02......R$ 200 (85 dólares)
01/04/03......R$ 240
01/05/04......R$ 260
01/05/05......R$ 300
01/04/06......R$ 350
01/04/07......R$ 380
01/09/08......R$ 415
01/02/09......R$ 465
01/01/10......R$ 510 (291 dólares)
E observem, nos gráficos do DIEESE, o processo de recomposição do salário mínimo, por aumentos reais a cada ano, nos últimos 8 anos:

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