18 agosto, 2011

A Pimenta Infinita

Medindo 1,17 milhão na escala Scoville (que mede o grau picante de uma pimenta), esta é agora a mais "quente" das pimentas do mundo. Ela foi cultivada por acidente em Lincolnshire, na Inglaterra.
Apelidada de Infinity Chilli, é consideravelmente mais "quente" que a detentora anteriora do título, a Bhut Jolokia, da Índia.
Nick Woods, proprietário da empresa Fire Foods, um dia percebeu a ocorrência de uma nova pimenta mestiça em sua estufa. Intrigado com ela, Nick decidiu prová-la, o que foi uma experiência deveras lamentável. Uma experiência descrita como uma sensação insuportável de queimação que lhe atingiu a garganta, deixando-o por alguns momentos sem condições de falar.
A destronada Bhut Jolokia já foi assunto do blog, em 10/01/10. Clique aqui.
The Presurfer
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Comentário
Com o título mudado para Pimenta que derruba até baiano a nota acima foi publicada no Luis Nassif Online, no qual recebeu, até o momento, 15 comentários. Dentre eles, destaco o que foi enviado pelo leitor de nome Alfeu.
Transcrevo-o a seguir:
"Meu pai era um grande adorador de pimentas. Pernambucano, gostava de desafios. Havia em casa uma coleção delas. Vários tipos, uma para cada tipo de prato, ou uma para cada dia de desafio. Convivia com uma gastrite e já tinha sofrido de úlcera. Quando sucumbia por uma crise estomacal, me pedia para eu ir na Granado, e aviava uma receita para o seu bombardeado estômago. Depois de alguns dias de "tratamento" o seu estômago estava zero, pelo menos era assim que ele dizia, e isso era a senha para regar os seus pratos com a sua coleção de pimentas. Nada mais óbvio que o ciclo recomeçava. Se alguma visita experimentava uma pimenta por ele oferecida, e mostrasse a sua resistencia, um novo tipo mais explosivo era apresentado. Como é de se esperar, uma pessoa, no caso eu, vendo tudo isso, não vai ter a pimenta como uma iguaria dentre os seus favoritos.
Mas isso não impede de ser vítima de armadilhas pelo mundo afora. Quando, num período dos anos 80, morei no Japão, em pleno verão entrei numa casa que era especialista em lamen (longe do sabor e da qualidade dos chamados "miojo", aqui no Brasil). Um wakame lamen (wakame é um tipo de alga vermelha - Undaria sp;Rodophyta) que era imersa, na minha opinião, em pimenta malagueta; mas eles usam o togarashi que é uma pimenta, e que detalhes e sutilezas não me importam, pois queimam a língua, a garganta e principalmente a paciência. Mas uma coisa me chamou a atenção, ao sair do restaurante, o ambiente não me pareceu tão quente quanto antes de entrar. É essa a filosofia da pimenta.
Duas coisas para terminar: caso meu pai estivesse vivo e lesse esse post iria na caça destas variedades de pimenta; outro é que no Japão quando tinha essas "agradáveis" experiências com a pimenta, inclusive no inverno, ficava pensando na culinária baiana - pois diversas vezes fui para a Bahia - e achava o baiano um povo com estômago de aço (ou de adamantium, igual às garras do Wolverine); pois, para mim, é impossível se gostar de tanta pimenta."
Alfeu

Nenhum comentário: